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domingo, julho 14, 2024
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Pesquisadores brasileiros desenvolvem primeiro bioinsumo multifuncional para soja

Produto tem potencial de controlar pragas e doenças da oleaginosa

Após quatro anos de pesquisa, estudiosos ligados à Embrapa divulgam um bioinsumo com dupla função destinado ao cultivo de soja: estímulo de crescimento da planta e combate a fungos. O produto é o primeiro inoculante líquido multifuncional a ser aplicado no tratamento de sementes ou no sulco de plantio da oleaginosa e promete auxiliar na redução no uso de fertilizantes químicos nitrogenados.

Resultado de uma parceria da Embrapa com a empresa privada Innova Agrotecnologia, o bioinsumo tem potencial de controlar pragas e doenças da oleaginosa, o que vem a calhar em um ano difícil para os produtores de grãos, que enfrentaram a quebra de safras diante dos extremos climáticos e a queda nos preços internacionais.

Batizado de “Combio”, o bioinsumo começou a ser pensado em 2020 a partir de uma coleção de cerca de 7 mil microrganismos mantida no Centro de Recursos Biológicos Johanna Döbereiner (CRB-JD), de posse da Embrapa Agrobiologia, em Seropédica (RJ). Para formular o produto, mais de 700 bactérias que fazem parte da coleção foram testadas até chegar a três estirpes (categorias de microrganismos) bacterianas.

“O diferencial desse inoculante é que colocamos bactérias que desempenham vários mecanismos estimuladores e que também protegem as sementes na fase de emergência do solo, evitando ataque de fungos oportunistas”, detalhou, em nota, o pesquisador Jerri Zilli, da Embrapa Agrobiologia, um dos responsáveis pela pesquisa.

Rendimento

Além do controle fungico, testes de campo realizados pela Innova Agrotecnologia apontaram um ganho de 10% no rendimento de grãos. “Nem mesmo a forte estiagem ocorrida na safra 2020/2021, a exemplo do que ocorreu no estado de Mato Grosso, impediu o efeito satisfatório do bioinsumo”, reiterou a Embrapa.

No Paraná, uma lavoura sem qualquer inoculante apresentou rendimento de 61 sacas por hectare, outra com coinoculação tradicional rendeu 63 sacas e a área com o Combio teve rendimento de 66 sacas. Em geral, a produtividade da soja na condição de seca ficaram entre 40 e 50 sacas por hectare.

“Nossa intenção não é confrontar os inoculantes que estão no mercado. O objetivo é incentivar um manejo que evite fungicidas químicos, considerados agressivos à bactéria rizóbio”, destacou Zilli.

Comprovada a característica de proporcionar o crescimento das plantas de soja, as bactérias foram consorciadas ao Bradyrhizobium – gênero de bactérias imprescindível para fixar nitrogênio à cultura e que estão presentes no solo. “Após os testes em casa de vegetação e em campo, constatou-se que as plantas inoculadas com o Combio desenvolveram-se de forma superior à inoculação padrão com Bradyrhizobium”, aponta a pesquisa.

Utilização

Luís Henrique de Barros, também pesquisador da Embrapa envolvido no projeto, crê que o Combio possa substituir o inoculante tradicional na cultura da soja, que só cumpre a função de fixação de nitrogênio atualmente.

Os testes para validação do efeito de combate a fungos estão em andamento a fim de poder registrar o bioinsumo como fungicida biológico. A expectativa dos pesquisadores é que esse diferencial seja totalmente comprovado e que, em breve, o produto possa ser oferecido como o primeiro bioinsumo multifuncional para a soja.

Atualmente, o produto tem um registro especial temporário e está sendo ofertado como inoculante com ação na fixação biológica de nitrogênio e na promoção de crescimento de plantas de soja. “Para ser comercializado como biofungicida, precisa ainda cumprir algumas exigências da atual legislação brasileira. A expectativa é que essa nova tecnologia esteja disponível nas próximas safras”, indica a Embrapa.

Fonte: Midiajur

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